Projeto artigo Andreia
Tema: A dicotomia: o
normal e os excessos nos tratados hipocráticos
Objeto: Corpus Hippocraticum - Da Natureza do Homem –
A Antiga Medicina
Objetivo geral: A partir dos
tratados hipocráticos, entender como os excessos se relacionam com o normal.
Objetivos
específicos:
I - Avaliar a estética
dos excessos presente no Corpus Hipprocraticum.
II – Entender a
relação entre normalidade, justa medida, meio termo e a estética grotesca dos
excessos
III - Como o
excesso contribui para o surgimento do empirismo frente ao dogmatismo pré-socrático.
O Corpus Hippocraticum (Cairus p.25)
“É na medicina que
encontramos os começos de um método genuinamente experimental. A experimentação
começa com a aplicação deste ou daquele remédio a um determinado doente, para
ver se dará ou não resultado. ... Os médico foram os primeiros a interrogar a
natureza com o espírito aberto e na disposição de aceitarem a sua resposta e de
modificarem os seus métodos de acordo com elas. (Conford 1981 p.60) (Cairus
p.33)
Empirismo x dogmatismo pré-socrático à a observação sem floreios, sem mimimi ???
Conford: introdução ao empirismo através dos Textos
Hipocráticos ???
“O homem tem saúde
precisamente quando esses humores são harmônicos em proporção, em propriedade e
em quantidade, sobretudo quando são misturados. O homem adoece quando há falta
ou excesso de um desses humores, ou quando ele se separa no corpo e não se une
aos demais.” (Da Natureza do Homem - 4Litrre) (Cairus p.34)
Dicotomia grotesco x estética permitiu o
desenvolvimento da técnica ???
“O estado
patológico passou a ser designado a partir do normal, através dos léxicogênicos
hiper e hipo ... Contudo, nos séculos V e IV a.C., o princípio de Alcméon,
... do “nada em excesso” ganhou vulto através dos textos das escolas médica de
Cnido e de Cos, Platão refere-se a esse princípio no Banquete (186c), no discurso do médico Erixímaco: “pois a
medicina, para dize-lo resumidamente, é um conhecimento do que há de erótico no
corpo, em relação à repleção e à vacuidade” (Cairus p.35)
Conceito de normal x grotesto ???
“A face política
que apologiza o meio termo e a justa medida tem sua mais ilustre expressão em
Solon ... O discurso de Nícias, no sexto livro da Guerra do Peloponeso, tem por
característica a apologia da temperança. ... Assim, a sociedade é concebida
como um corpo político, homólogo ao corpo humano” (Cairus p.35/36)
Por um lado meio termo, por outro os extremos ???
“ Canguilhem lembra
que “definir o anormal por meio do que é demais ou de menos é reconhecer o caráter
normativo do estado dito ‘normal’” (1966 p.36). Se por um lado, na medicina hipocrática,
o que se visa não é propriamente o normal (51), mas apenas ao saudável; por
outro, seus tratados adotam muito claramente o verbo XXXX por princípio
normatizador, estabelecendo, desta forma, um padrão de normalidade. Tal qual o da
Medicina Antiga, os tratados humorais, oferecem copiosos subsídios para o
estabelecimento definitivo de um vínculo antitético entre o desequilíbrio e o
XXX em seu sentido mais clássico, o de “costume”.(Cairus p.37)
Da Natureza do Homem (Cairus p.39)
“A tradução do texto
procurou ser o mais fiel possível. O estilo duro e visceralmente anti-literário
dos tratos do Corpus Hippocraticum foi observado. Este não é (e nunca foi) um
texto com preocupações estéticas, como parece ser o de Platão, trata-se de um
texto norteado por um novo conceito que as Escolas Médicas de Cós e Cnido
trazem a essa cultura que mutatis
mutandis ainda é a nossa: a verdade pragmática (não ideal como a Socrática),
nem somente comprovável (como a de Empédocles ou a de Anaxágoras), mas já
comprovada, pretensamente abnuente de dogmas, que necessitava de uma expressão
divulgadora em nome de um altruísmo ainda pouco conhecido, capaz de, qual em Eurípedes,
unir a humanidade, e não apenas os povos.(Cairus p.41)
“3-Por outro lado,
se o calor e o frio, e o seco e o húmido não se interrelacionarem com moderação
e em igualdade, mas um predominar sobre o outro, o mais forte sobre o mais
fraco, não ocorrerá a gênese.”4-O homem adoece quando há falta ou excesso de um desses humores ... o lugar no qual ele transborda, ultrapassando a medida causa dor e sofrimento. E quando um desses humores flui para fora do corpo mais do que permite a sua superabundância, a evacuação causa sofrimento.”
5-Se deres a um homem um remédio que remova fleuma, ele vomita fleuma, e se lhes deres um remédio que remova bile, ele vomita bile ... e se ferires uma parte qualquer do próprio corpo, de sorte a produzir uma chaga, dela escorrerá sangue.”
6-E quem afirma que o homem é sangue, faz uso da mesma opinião: vendo os homens serem degolados e o sangue fluir do corpo, criam a opinião de que este humor é o princípio vital do homem ... ... e nos homens degolados, primeiro escorre o sangue mais quente e mais vermelho, depois escorre o mais fleumático e mais bilioso.”
12-Para os que expelem muito pus sem estarem com febre, para aqueles os quais a urina está muito carregada de pus sem haver dor, e também para aqueles entre os quais os excrementos são cronicamente ensanguentados como na disenteria, ... as doenças surgem da mesma causa. ... são rapazotes trabalhadores; mas, depois livres das tribulações, tornam-se carnudos com uma carne mole e muito diferente da anterior, e tem o corpo muito dividido entre o que era antes e o que se tornou, de forma a não haver mais similitude”
(Cairus p.43/45 – Da Natureza do Homem)
A Antiga Medicina (Mark; Jouanna)
3.3 And, to
go still further back, I hold that not even the regimen and nourishment that
the sick make use of today would have been discovered if it were sufficient for the human
being to eat and drink the same things as an ox and a horse and all the animals
other than man—
3.4 For
human beings endured much terrible suffering because of their strong and brutish regimen,
consuming foods that were raw, unblended, and possessing great powers—suffering like that
which they would experience from these foods today as well, falling into severe
pains and diseases followed by a speedy death.
3.4 En effet,
comme les gens éprouvaient bien des souffrances terribles par suite d'un régime
fort et bestial, du fait qu'ils ingéraient des aliments crus, intempérés et dotés
de qualities fortes
3.5 From
wheat, by moistening, winnowing, grinding, sifting, kneading, and baking it
they made bread, and from barley they made barley cake. And performing many
other operations to prepare this nourishment, they boiled and baked and mixed
and blended the strong and unblended things with the weaker, molding everything
to the constitution and power of the human being; for they considered that if
foods that are too strong are ingested, the human constitution will be unable
to overcome them, and from these foods themselves will come suffering, diseases,
and death, while from all those foods that the human constitution can overcome will
come nourishment, growth, and health.
É uma luta para dominar os alimentos. O primeiro ato cultural é se apropriar
do mundo comendo
7.2
A
mes yeux, ce qui apparaît, c'est l'identité de la méthode, c'est l'unité et la similitude
de la découverte.
8.3 Tous ces faits
sont des preuves que l'art de la médecine proprement dit*, si l'on poursuit la recherche
dans la même voie, peut être découvert tout entier.
Uma busca por padrões
9.2 But
in fact the error is no less, nor does it harm the human being less, if one
administers food deficient in quantity and quality to what is needed: for the
might of hunger penetrates forcefully into the human constitution to lame and weaken
and kill. And many other ills, different from those arising from repletion but no less
serious, also arise from depletion.
9.2
Mais,
en réalité, la faute n'est pas moins grande …
Nosso corpo é um recipiente e o médico analisa o que entre e o que sai
pra entender o que está dentro (cheiro, cor, gosto das urinas e fezes) ... usavam
remédios para expulsar os humores ruins, em excesso ... katharsis
...purificação do corpo ... conceito de métron ... na medida ... feeling of the
body ... aisthesis tou somatos
Bibliografia
inicial:
BAKHTIN, M. Cultura Popular na
Idade Média: o contexto de François Rabelais. SP: Hucitec, 2010.
KAYSER, W. O grotesco. São
Paulo: Editora Perspectiva, 2013.
RABELAIS, F. Gargântua e Pantagruel.
Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Editora Itatiaia, 1991
MARK, J. SCHIEFSKY. HIPPOCRATES ON ANCIENT MEDICINE – Translated
with introduction and commentary. LEIDEN/BOSTON: BRILL, 2005
JOUANNA, JACQUES. HIPPOCRATE DE L'ANCIENNE MEDECINE - TEXTE
ÉTABLI ET TRADUIT PAR.PARIS: LES BELLES LETTRES, 1990
Cairus, Henrique F. e Ribeiro Jr, Wilson A. Textos Hipocráticos: o doente, o médico e a doença. Rio de Janeiro:
Editora Fiocruz, 2005
Demont, Paul. ABOUT PHILOSOPHY AND HUMOURAL MEDICINE,
p271. HIPPOCRATES IN CONTEXT Papers read at the XIth International Hippocrates
Colloquium University of Newcastle upon Tyne 27–31 August 2002. LEIDEN/BOSTON:
BRILL, 2005
Cerqueira Lima, Alexandre Carneiro. As
Imagens de Corpo Grotesco durante a Carnavalização do Simposio e do Komos em Atenas
no V século a.C. Rio de janeiro, 1997
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